Planos para o ano que se avizinha.
E ontem, a pergunta definitiva; “Gastas demasiada energia a contrariar a existência do Amor. Porque não acreditas no Amor?”
Uma pergunta destas, feita no meio da aguardente velha, que recuso a tomar – outros tempos outras vontades – especialmente quando tem por introdução uma afirmação feita sem aviso, merece uma resposta significativa.
Sem entrar em detalhes, poder-se-á dizer que a energia que gasto a contrariar a existência do Amor, é a mesma que vejo gasta nas ruas da cidade dos afectos por pessoas que perseguem o Amor como a última esperança da sua existência. Digamos que se me engano nesta declaração, também aquela que quero contrariar está ferida. Não de morte, mas fraca. Por outro lado, o acto de acreditar no Amor, não faz nenhum sentido se não acreditarmos primeiro nas pessoas. O Amor, resulta essencialmente de um acto de fé. De crença absoluta. Mais do que confiança, quem ama, ou visa ser amado quer acreditar que nesse sentimento se preenche e completa e que a sua existência depende disso. O Amor que usamos para ficar fortes, não é mais do que a limitação absoluta da nossa força. Deixamos que nos consuma. Somos um refresco ou um cobertor, mas nunca a inquietude. Ir mais além não existe quando queremos prolongar momentos ou palavras, ou toques, ou cheiros, ou circunstâncias. O Amor vive de rotinas e repetições. Amamos a mesma pessoa porque sabemos com que podemos contar. Pensamos confiar quando aquilo que temos é uma fé inabalável que os momentos felizes não se esgotem ao virar da esquina, ou de um decote que fica bem. Temos fé no Amor a quem confiamos demasiadas coisas importantes. Acredito no Amor, mas desconfio das pessoas. Não nego a existência do sentimento em si, mas não o faço depender das circunstâncias. Dou liberdade ao Amor para poder existir fora das pessoas, porque só assim faz sentido, só assim pode ser o sentimento maior da inquietude, da vontade, do desejo. Ficar quieto é a maior contradição do Amor.
E nisto a mesa fico calada durante momentos. Após isso, decidimos todos continuar a fazer planos para o ano novo que se avizinha.



